Soror Paula, a mulher que conquistou D. João V
Madre Paula de Patrícia Müller, publicado pelas Edições Asa, é a história de um amor proibido, entre D. João V e Paula, «a freira de Odivelas», que se tornou sua amante, mas essencialmente sua confidente e conselheira. Diz-se que certa vez, chamado à razão, o monarca terá respondido «O que querem eles? O meu amor por Paula seria capaz de tocar o firmamento. É transcendental, transcendental, porque maior do que tudo.», encerrando assim a questão.
Esta história irreverente passa-se numa Lisboa ao rubro, no início do século XVIII, onde o esplendor da corte de D. João V, O Magnânimo, é comentado pelas terras de Portugal e muitas cortes da Europa, permitindo-se o rei a tais exageros e sabendo que para «limpar a alma» lhe bastariam doações avultadas à Igreja.
Oriunda de uma família pobre, Paula é deixada pelo pai no Mosteiro de São Dinis, o que será um destino bem cruel para uma jovem habituada a calcorrear as ruas de Lisboa, feliz e solta. Tudo muda repentinamente. Privada da sua liberdade, Paula ver-se-á ainda subjugada às maldades de outras freiras e jovens enclausuradas, só porque é do povo, não possuiu belos vestidos e jóias e não traz consigo o poder de um dote.
Mas o futuro ser-lhe-á sorridente. Paula é belíssima, jovial e sobretudo, astuta. Um dia, após provocar um encontro com o rei, tornar-se-á o seu maior objeto de desejo. Passado pouco tempo, sua amante durante uns longo treze anos, o que a tornará a das mulheres mais poderosas do reino. Um reino que vivia de todo o tipo de extravagâncias, permitidas com o lucro da comercialização de escravos e do ouro vindo do Brasil.
Juntos enfrentarão intrigas palacianas, o ciúme e os jogos de poder, mas só a ameaça do castigo divino poderá separá-los, sobretudo com o nascimento do filho varão, o que vem pôr em causa toda a diplomacia inerente ao casamento do monarca com D. Ana, a rainha. Fogosos em tudo, revelam-se como personagens às quais se afetam episódios de raiva e ciúme por parte de Paula que quer, porque quer o rei junto de si; da mais pura realização do amor e dos sentimentos da entrega entre um homem e uma mulher.
Quanto ao estilo da escritora, não se poderão tecer os maiores elogios, mas é justo dizer que a narrativa está bem construída, que o discurso pensado para ser de 1. pessoa prende o leitor e vai evoluindo consoante a história destas duas personagens históricas. O que, a meu ver, terá quebrado a linha condutora para uma maior significação do crescimento pessoal de Paula é o seu repetido sonho/desejo/jogo. A autora descreve-o no início da narrativa, elencando-lhe, consoante a diegese acontece, novos itens. Contudo, tal torna a mensagem repetitiva. A intenção autoral é ótima, poderia ter sido levada ao leitor e uma outra forma.
Título ao qual atribuo 4 estrelas.